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domingo, 10 de agosto de 2008

"Eden Lake": hype da semana

É um facto que o cinema de terror britânico está de vento em poupa e, após vários filmes mais do que convincentes, qualquer novo projecto é objecto de um verdadeiro hype.
Exemplo disso, "Eden Lake", primeiro filme de James Watkins, argumentista de "My Little Eye", "Gone" e "The Descent 2". O seu primeiro filme apresenta um plot próximo do sobrevalorizado francês "Ils" de David Moreau e Xavier Palud.
Jenny e o seu namorado Steve vão passar um fim de semana romântico numa floresta isolada ao pé de um idílico lago. Mas as coisas começam a correr mal quando aparece um bando de miúdos decididos a fazer-lhes a vida negra. Após ter roubado as suas bagagens e vandalizado o seu carro, Steve resolve confrontá-los mas é violentamente atacado. Fugindo pela floresta, cabe então a Jenny, sozinha e perdida, encontrar ajuda, enquanto é perseguida e persecutada pelo bando. Desesperada e fisicamente exausta, Jenny pensa ter encontrado a salvação quando chega a uma aldeia. Mas quando dá de caras com os pais dos miúdos, o pesadelo intensifica-se...
Ainda não há trailer disponível na Net, apesar do filme ir estrear no Reino Unido dia 12 de Setembro, mas como já referimos o hype tem se desenvolvido pelos fóruns e pela comunidade dos geeks. As várias fotos do filme deixam antever um ride badass e gore, pelo menos o realizador não escolheu rodar em digital, como no caso do "Ils", mas sim em película tradicional, e não deverá ser difícil fazer melhor do que o filme dos franceses.
A par de "The Strangers" de Bryan Bertino, num estilo ligeiramente diferente, "Eden Lake" é mais uma tentativa de survival com um inimigo moralmente dúbio. Veremos se o resultado final está à altura do hype e se os britânicos mantêm o nível. Wait and see.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

"Eden Lake": trailer eficaz

Falamos no passado Domingo deste filme de terror britânico intitulado "Eden Lake", realizado por James Watkins, cujo hype já está a fazer o seu trabalho.
Entretanto, já foi divulgado o trailer. Sem reinventar nada, estas primeiras imagens são bastante eficazes e deixam antever um survival tenso que tira partido da ambiguidade moral dos seus vilões, ou seja, um bando de adolescentes.
Pelo menos, se à partida a refêrencia era o "lls" de David Moreau e Xavier Palud, "Eden Lake" já o ultrapassou à vontade só pelo trailer. Resta esperar pelo resultado final. Até lá, ca está o trailer. Enjoy!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

"The Children": ¿Quién puede matar a un niño?

Os nossos amigos britânicos continuam em alta no que diz respeito ao cinema de género e de terror em particular. Depois da excelente descoberta que constitui "The Cottage" de Paul Andrew Williams e enquanto esperamos cheios de impaciência pelo visceral e controverso "Eden Lake" de James Watkins, eis que surge "The Children" de Tom Shanland, promessa de mais uma filme subersivo e perturbador.
Realizador de "W Delta Z" que beneficiou de um pequeno buzz, Tom Shankland escreveu o argumento do filme baseando-se numa história de Paul Andrew Williams, que está decididamente em todas quando se fala de cinema de género inglês.
O trailer disponível mostra-nos um filme que deverá apostar no naturalismo para traduzir um clima anódino de quotidiano que progressivamente vai ser corrompido pela maléfica atitude dos seres à partida mais inocentes possível, as crianças.
Previsto para estrear no UK dia 5 de Dezembro, "The Children" demonstra um grande potencial com um regresso ao cinema de género trangressivo próprio à década de 70 e, se o filme cumprir com as suas promessas, é um autêntica bomba doentia que deverá rebentar nos ecrãs de cinema do mundo inteiro, Aleluia!

sábado, 26 de setembro de 2009

"Harry Brown": Death Wish

Mais um exemplo da vitalidade actual do cinema de género britânico, "Harry Brown" do principiante Daniel Barber com o grande Michael Caine no papel principal assume-se como um cruzamento entre "Gran Torino" e "Death Wish" onde um militar veterano decide vingar a morte do seu velho amigo, assassinado por um bando de jovens.
Continuando a exploração dos temas sociais complexos e ambíguos caraterísticos de um certo cinema inglês de género (último exemplo muito conseguido, "Eden Lake" de James Watkins), "Harry Brown" promete um vigilante movie estilizado, tenso e, esperemos nós, inteligente, contando com o carisma incontornável de Michael Caine himself.
Estreia no Reino Unido no próximo dia 13 de Novembro, ainda não há estreias marcadas para outros países. Resta esperar que Portugal seja um dos próximos contemplados.


sábado, 17 de janeiro de 2009

"Fantasporto 2009": mais pormenores

Ainda não há programação definitiva (já deve faltar pouco) mas o site do Fantasporto anunciou finalmente mais pormenores sobre as suas Secções Oficiais, nomeadamente a Secção Oficial de Cinema Fantástico, a Secção Oficial Semana dos Realizadores e a Secção Oficial Orient Express.

Vamos então recapitular o que está confirmado:

Abertura Oficial - 20/02/2009 (20h30):

- "Che - Part One: The Argentine" de Steven Soderbergh

Secção Oficial de Cinema Fantástico: Secção composta por 16 filmes

- "Eden Lake" de James Watkins
- "The Unborn" de David S. Goyer
- "Absurdistan" de Veit Helmer
- "Bellini e o Demônio" de Marcelo Galvão
- "Walled In" de Gilles Paquet-Brenner

Secção Oficial Semana dos Realizadores: Secção composta por 12 filmes

- "The Wrestler" de Darren Aronofsky
- "The Escapist" de Rupert Wyatt
- "The Deal" de Steven Schachter
- "Palermo Shooting" de Wim Wenders

Secção Oficial Orient Express: Secção composta por 8 filmes

- "Takut: Faces of Fear" de Robby Ertanto, Ray Nayoan, Rako Prijanto, Riri Riza e Raditya Sidharta
- "Tokyo Gore Police" de Yoshihiro Nishimura
- "Nightmare Detective" de Shinya Tsukamoto
- "Nightmare Detective 2" de Shinya Tsukamoto
- "The Chaser" de Na Hong-Jin
- "Hansel & Gretel" de Yim Pil-Sung

Encerramento Oficial - 28/02/2009:

- "Adam Resurrected" de Paul Schrader

Como se pode constatar ainda falta anunciar muitos filmes em todas as Secções, esperando-se que sejam confirmados os já falados "Martyrs" de Pascal Laugier, "The Good, The Bad, The Weird" de Kim Ji-Won, "Tokyo!" de Bong Joon-Ho, Leos Carax e Michel Gondry, "Transsiberian" de Brad Anderson, "Choke" de Clark Gregg e eventualmente o último filme do Kim Ki-Duk, "Dream".
Resta então aguardar para mais informações no site do Fantasporto, ao qual poderão aceder ao clicar no poster a seguir.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

"Cherry Tree Lane": funny games

Paul Andrew Williams faz parte daquela vaga actual de cineastas de género oriundos do Reino Unido que têm dado merecidamente nas vistas graças a um inegável talento, tanto formal, como temático.
O jovem realizador já nos brindou com dois excelentes filmes, bem diferentes um do outro, o drama social "London to Brighton" e a comédia de terror "The Cottage", destacando-se ainda a sua história para o bombástico "The Children" de Tom Shankland, uma das sensações do MOTELx 2009.
O seu terceiro filme prepara-se para estreia no Reino Unido (03 de Setembro) e abraça desta vez o género do survival com a história de base habitual, aqui um pacato casal que vai ser torturado em casa por um gang de jovens à procura do seu filho.
O trailer de "Cherry Tree Lane" já está visível e promete uma bela descida aos infernos, com o savoir-faire do realizador e uma ambiguidade à la "Eden Lake", os britânicos nunca hesitando a dar um cariz social aos seus filmes de terror. Será que poderemos descobrir este filme no próximo MOTELx que está quase a arrancar? Seria uma bela supresa.


sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"Top 20": os melhores de 2009

Como todos os anos, é altura de fazer o nosso Top 20 dos melhores filmes estreados nas salas de cinema durante o ano de 2009.
Tivemos sem dúvida um excelente ano cinematográfico e haveria ainda muito mais escolha e qualidade se, por um lado, vários filmes previstos não tivessem sido para variar adiados para 2010, como é o caso dos indispensáveis "Drag Me To Hell" de Sam Raimi, "Thirst" de Park Chan-Wook, "Mother" de Bong Joon-Ho, "The Road" de John Hillcoat", "Antichrist" de Lars Von Trier, "Where The Wild Things Are" de Spike Jonze, e se, por outro lado, chegassem ao nosso país uma série de filmes não menos indispensáveis como "Bronson" de Nicolas Winding Refn, "Ip Man" de Wilson Yip, "I Come With The Rain" de Tran Anh Hung, "Accident" de Soi Cheang, "Sword of the Stranger" de Masahiro Andô, entre muitos outros.
De referir ainda que, como sempre, o cinema de terror/fantástico e o cinema asiático continuaram a ser muito mal tratados pelos distribuidores nacionais. Não fossem festivais como o MOTELx, o Indie Lisboa ou o Fantasporto e também algumas estreias em DVD no anonimato mais completo, o cinéfilo português digno desse nome bem teria passado ao lado de obras-primas e outras bombas como "Martyrs" de Pascal Laugier, "Vinyan" de Fabrice Du Welz, "Sauna" de Antti-Jussi Annila, "The Children" de Tom Shankland, "Tokyo Sonata" de Kiyoshi Kurosawa, "Breathless" de Yang Ik-Joon, "JCVD" de Mabrouk El Mechri, "The Midnight Meat Train" de Ryuhei Kitamura, "The Chaser" de Na Hong-Jin, "Nightmare Detective 2" de Shinya Tsukamoto ou "Grace" de Paul Solet.
Por fim, uma nota como é habitual sobre os filmes estreados que bem poderiam estar neste Top mas infelizmente temos de fazer escolhas, o que é sempre muito subjectivo, sendo eles os seguintes: o esperado "Watchmen" de Zack Snyder, os inesperados "The Strangers" de Bryan Bertino e "Moon" de Duncan Jones, o ultra-premiado "Let The Right One In" de Tomas Alfredson, os injustamente mal tratados "The International" de Tom Tykwer e "Knowing" de Alex Proyas, os hilariantes "The Hangover" de Todd Phillips e "Bruno" de Larry Charles, o original "Synecdoche, New York" de Charlie Kaufman, o incontornável "Capitalism: A Love Story" de Michael Moore, e ainda os emocionantes "Taking Woodstock" de Ang Lee, "Miracle at St. Anna" de Spike Lee e "Tetro" de Francis Ford Coppola.
Mais uma prova que foi de facto um excelente ano de cinema mas, chega de palavras, aqui vai o nosso Top 20 de 2009 e, claro, ficamos à espera dos vossos:


1. "Avatar" de James Cameron e "Public Enemies" de Michael Mann (ex-aequo)

3. "The Wrestler" de Darren Aronofsky

4. "Two Lovers" de James Gray

5. "Waltz With Bashir" de Ari Folman

6. "Gran Torino" de Clint Eastwood

7. "Un Prophète" de Jacques Audiard

8. "The Hurt Locker" de Kathryn Bigelow



9. "District 9" de Neil Blomkamp



10. "Changeling" de Clint Eastwood

11. "Red Cliff" de John Woo

(Nota: trata-se aqui da versão ocidental do filme, sendo que "Red Cliff" versão original chinesa consiste em 2 filmes de uma duração total de quase 5 horas cujo resultado é evidentemente superior a esta versão curtada de apenas 2 h 30. A versão original é assim uma obra-prima do wu xia pian moderno e estaria numa posição mais elevada no ranking mas, mesmo assim, esta versão supervisionada pelo próprio John Woo continua um grande filme que não podia deixar de estar no nosso Top 20 de 2009, provando que o cineasta mantém o seu talento intacto ao contrário do que diziam os seus vários detractores)

12. "Ponyo on the Cliff" de Hayao Miyazaki



13. "Coraline" de Henry Selick

14. "Warlords" de Peter Chan

15. "Inglourious Basterds" de Quentin Tarantino

16. "Up" de Pete Docter



17. "Agora" de Alejandro Amenábar

18. "Eden Lake" de James Watkins

19. "This Is England" de Shane Meadows

20. "Zack and Miri Make a Porno" de Kevin Smith

sábado, 16 de abril de 2011

"The Woman in Black": teaser-trailer

Novo filme de James Watkins, realizador do brilhante "Eden Lake", "The Woman in Black" também é uma novo produção do recém ressuscitado estúdio Hammer, empenhado em regressar à ribalta no seu género de predilecção, o Terror, mesmo se o recomeço foi algo discutível (o remake "Let Me In" e os dispensáveis "The Resident" e "Wake Wood").
Será que "The Woman on Black" poderá inverter essa tendência e marcar o verdadeiro regresso triunfal da mítica Hammer? Ainda é cedo para dizê-lo mas parece ter mais armas dos que os seus predecessores. O seu já citado realizador James Watkins, cujo potencial permite ter altas expectativas, mas também a argumentista Jane Goldman, cujo talento já foi provado com "Stardust" e "Kick-Ass", ambos de Matthew Vaughn, aqui a adaptar um célebre livro britânido de Susan Hill, e também a curiosidade em ver como Daniel Radcliffe se safa no seu primeiro leading role após ter terminado a saga "Harry Potter".
À partida uma classic ghost story, é portanto com alguma expectativa que se espera este "The Woman in Black", até porque o teaser-trailer agora divugaldo é muito pouco generoso em imagens, o que aumenta ainda a curiosidade. Estreia no Reino Unido prevista para 10 de Fevereiro 2012, stay tuned para o aguardado trailer.


(clicar na foto para aceder ao teaser-trailer)

domingo, 4 de setembro de 2011

"The Woman in Black": trailer

As poucas imagens divulgadas de "The Woman in Black", segundo filme de James "Eden lake" Watkins, já nos tinham deixado com muita água na boca para descobrir este thriller sobrenatural na grande tradição da Hammer (que aliás produz o filme, o mítico estúdio tendo renascido das suas cinzas desde o ano passado) mas agora com este trailer, o filme transforma-se simplesmente num dos filmes de terror mais esperados de 2012.
Com uma fotografia fabulosa, uma atmosfera hipnótica e planos deslumbrantes, "The Woman in Black" tem tudo para marcar o espectador e fazer a diferença nestes tempos de torture porn e ultra violência, para além de possivelmente intronizar Jame Watkins como a nova sensação do cinema de género britânico.
Como terão percebido, as expectativas estão altíssimas relativamente a este filme e aguarda-se com muita ansiedade a sua descoberta de preferência numa grande sala de cinema nacional. Estreia no Reino Unido: 10 de Fevereiro 2012.

(clicar no poster para aceder ao trailer)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

"The Descent 2": the crawlers are back

Único título de glória merecido do cineasta britânico Neil Marshall, "The Descent" irá ter uma sequela, intitulada sobriamente "The Descent 2", realizada por Jon Harris, responsável da montagem no primeiro filme, e escrita por James Watkins, o novo golden boy do cinema de género inglês graças ao seu primeiro filme, o ambíguo e incomodativo "Eden Lake".
Mas esta sequela apresenta uma curiosidade. De facto, quem descobriu o filme na Europa, portanto na sua montagem original, recordará certamente que a personagem principal morria, à semelhança das suas amigas, ficando presa nas grutas, antro dos terríveis crawlers.
Ora este final negríssimo do melhor efeito não era pelos vistos sustentável para o público básico americano. Assim, a versão americana do filme apresenta um happy-end onde Sarah (Shauna McDonald) consegue sair das grutas e escapar com vida.
O ponto de partida desta sequela é então o final feliz da versão americana, onde reecontramos uma Sarah traumatizada e confusa que não consegue de todo formular aos polícias que a recuperaram o que se passou nas grutas e o que aconteceu ao seu grupo de amigas. É então obrigada a acompanhar o xerife e os seus adjuntos para dentro das grutas onde mais uma vez os crawlers os esperam. Um novo massacre pode começar.
Com estreia prevista para 15 de maio no Reino Unido, cá está o trailer do filme e, como é frequente no caso de sequelas, a ideia parecer ter sido fazer bigger, better and louder. No entanto, better vai ser verdadeiramente difícil, sendo que já não existe efeito de surpresa, parece tratar-se mais de um remake do que uma sequela e a realização aparenta ser menos selvagem do que no primeiro filme.
Pelo menos o gore estará bem presente e esperemos que a eficácia no susto e na violência façam com que este "The Descent 2" não seja um filme inútil, ideia que ainda não conseguimos abandonar, apesar deste trailer no final relativamente simpático.

(clicar na foto para aceder ao trailer)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"MOTELx 2009": Balanço Dia 3

Sexta-feira 04 de Setembro, 3º dia do Festival MOTELx e programação ultra carregada com 8 longas-metragens, 2 documentários e uma mão cheia de curtas. O dia começa às 15h com uma primeira amostra de curtas-metragens portuguesas em competição, à qual se segue o primeiro filme do dia da Secção Serviço de Quarto, “From Within” de Phedon Papamichael.
Tivemos infelizmente de falhar essa sessão apesar da curiosidade que tínhamos em descobrir o filme. Phedon Papamichael é um conceituado director de fotografia de origem grega que trabalha desde sempre nos Estados Unidos, tendo dado nas vistas com filmes como “The Million Dollar Hotel” de Wim Wenders, “Identity”, “Walk the Line” e “3:10 to Yuma” de James Mangold, “Sideways” de Alexander Payne ou ainda “W.” de Oliver Stone, e a sua segunda longa-metragem “From Within”, série B paranóica influenciada pelo yurei eiga, filme de fantasmas japonês, parece ter muito boa pinta.
O MOTELx começa para nós às 17h com “Pig Hunt” de James Isaac, que escolhemos em detrimento de “Seventh Moon” de Eduardo Sánchez exibido às 17h30, um dos realizadores do famoso “The Blair Witch Project”, o outro sendo Daniel Myrick, que desde então nunca conseguiram sair da categoria de realizadores de segunda zona.
Segunda categoria, é sem dúvida onde se situa também este “Pig Hunt”. James Isaac é quase um veterano da indústria, apesar de ter realizado apenas 4 longas-metragens, que começou na primeira metade dos anos 80 como técnico de efeitos especiais, nomeadamente no design de criaturas junto da Chris Walas Inc. em filmes como “Gremlins” de Joe Dante, “Enemy Mine” de Wolfgang Petersen ou “The Fly” de David Cronenberg, o realizador canadiano recorrendo novamente aos seus serviços em “The Naked Lunch” e “eXistenZ” após os quais até interpretou um papel em “Jason X”, décimo filme da saga “Friday the 13th” realizado por James Isaac.

O cineasta norte-americano é portanto um simpático artesão que actua principalmente no circuito dos DTV e da série B a roçar a série Z, destacando-se do resto dos seus colegas principalmente porque até sabe filmar. Portanto, os filmes de James Isaac nunca são totalmente maus mas também nunca são verdadeiramente bons. Várias coisas, sobretudo planos de câmaras, efeitos de maquilhagem e um espírito fanboy sincero, se aproveitam de “House 3”, “Jason X”, Skinwalkers” e “Pig Hunt” mas no final nenhum é um filme memorável, alguns sobrevivendo por serem guilty pleasures.
E é exactamente o caso deste “Pig Hunt”, um dos seus filmes mais cheap, nomeadamente nos efeitos gore e na caracterização da criatura, um javali gigante que a câmara tenta disfarçar como pode. Esta história de caça de porco selvagem em plena América redneck que acaba por misturar citadinos armados em superior, sulistas pró-Bush sócios da NRA e hippies adeptos do sacrifício humano e da comunhão literal com o espírito da Mãe Natureza até tinha potencial mas tratada no modo da farsa com personagens inexistentes interpretados por actores uniformemente maus, James Isaac passa ao lado do creature feature violento e tenso, carregado de um subtexto político irreverente, que sentimos que quer fazer. Sobra um filme minimamente fun, uma espécie de série Z de luxo com umas filmagens acima da média, nomeadamente uma perseguição de carros e motas pela floresta tecnicamente empolgante. Pelos menos serviu para limpar o cérebro e preparar-nos para o complexo filme seguinte, “Sauna” do finlandês Antti-Jussi Annila.
Mas antes disso, uma palavra sobre o documentário exibido a mesma hora que “Sauna”, “Viva La Muerte! Autopsie du Nouveau Cinéma Fantastique Espagnol” de Yves Montmayeur, convidado do Festival e membro do júri da competição de curtas portuguesas. Tivemos pena de não poder ver esse estudo sobre o incontornável cinema de terror espanhol, a fenomenal qualidade dos cineastas ibéricos e dos seus filmes merecia sem dúvida uma análise digna desse nome.

Após a projecção da curta nacional “Sangue Frio” de Patrick Mendes, tivemos então direito ao filme “Sauna”, pessoalmente um dos filmes da programação que mais aguardava, e de facto, não houve desilusões. O jovem cineasta Antti-Jussi Annila é sem dúvida um realizador de cinema de género muito atípico. Após um primeiro filme, “Jade Warrior”, tentativa de revisitar o género do kung fu movie pelo prisma de uma sensibilidade nórdica, que dividiu aqueles que o viram, “Sauna” é mais uma prova da veia iconoclasta do realizador finlandês, procurando fazer do seu filme uma experiência atmosférica introspectiva que trabalha o espectador sobretudo a um nível psicológico.
Este tipo de abordagem não é nova mas, pelos tempos que correm onde o cinema de género popular, e em particular o cinema de terror, é cada vez mais mastigado, simplificado e percorrido de efeitos imediatos em detrimento de efeitos de medo mais duradouros, as escolhas de Annila acabam por se revelar ousadas e exigentes. Mas se o cineasta consegue a sua aposta é sobretudo porque as bases do seu filme apoiam-se num verdadeiro projecto cinematográfico no sentido de que as imagens são o vector essencial de transmissão dos sentimentos/emoções e mensagens do filme.
Juntando-se ao Pascal Laugier e ao seu “Martyrs” pelo radicalismo do projecto que se propõe concretizar, apesar de uma óptica completamente diferente em termos de armas a utilizar, mas também ao Fabrice Du Welz e ao seu “Vinyan” (do qual falaremos no balanço do 4º dia do Festival) pela depuração total dos códigos narrativos tradicionais substituídos por uma fé inabalável no poder das imagens, Antti-Jussi Annila impressiona pela sua mestria visual e pela capacidade em discretamente aprisionar o espectador nas teias labirínticas da viagem mental ao centro da culpabilidade e da redenção experienciada pela dupla de personagens principais.
A escolha da época retratada (século XVI) e dos locais (fronteira Finlândia – Rússia numa floresta/pântano a perder de vista, austera e debaixo de neve), onde se desenrola a história, participa logo de início na instalação de um clima perturbador e misterioso que progressivamente vai de forma insidiosa contaminar a alma das personagens e, por conseguinte, os espectadores.
Num ambiente medieval realista que ao longo do filme vai transpondo o limiar do fantástico presente em filigrana desde de princípio, aliás a noção de fronteira que está na base da história ganha uma correspondência reflexiva a vários níveis durante o filme (fronteira Finlândia/Rússia, fronteira mundo dos vivos/mundo dos mortos, fronteira culpabilidade/redenção), “Sauna” exige dos espectadores um abandono de si próprio, não através da empatia pelas duas personagens principais (isso é a arma utilizada por Du Welz em “Vinyan”, como o veremos proximamente) porque o fanatismo de um e a fraqueza do outro não o permite, mas sim através do hipnotismo das imagens que, tirando um partido máximo de paisagens carregadas de simbolismos, nos fazem entrar noutro mundo, longe do racionalismo que os temas do filme poderiam deixar antever.
Com um ritmo lento e uma narração introspectiva ao extremo, que Tarkovsky ou Kubrick não teriam renegado, Annila contorna os habituais defeitos inerentes a essas construções diegéticas, quando não são subjugadas, graças a uma câmara que destila, por um lado, o medo do desconhecido e, por outro, o assombro do lado oculto e inconfessável que todos temos dentro de nós. No primeiro caso, os cenários e a atmosfera são decisivos e perfeitamente bem geridos pela realização. No segundo caso, a correspondência tecida pelo cineasta entre as imagens e o conflito interior das personagens causa um profundo impacto sem que o espectador se aperceba de tal de imediato porque o simbolismo e a reflexividade são utilizados de forma muito subtil e em crescendo sem nunca parecerem forçados ou demasiado didácticos, alternando com inteligência níveis de leitura mais ou menos evidentes com caminhos mais obscuros, o que in fine faz de “Sauna” um objecto fílmico fascinante por recusar revelar todos os seus segredos e conseguir certamente crescer a cada nova visão.

E se chegado a esse ponto, alguns ainda duvidam da rigorosa coerência da visão de Antti-Jussi Annila assim como da sua mestria cinematográfica, o final do filme acabará por convencer qualquer um tanto é o choque estético e emocional que o mesmo proporciona, representando o culminar ideal e recompensador de todas as temáticas e reflexões abordadas até aqui. Sem dúvida um dos finais mais arrasadores e inesquecíveis que vimos nos últimos anos, a imparável demonstração da declaração de intenções levada a cabo pelo cineasta ao longo do filme de que as imagens é que devem transmitir tudo, e neste caso, que o preço a pagar pelos nossos erros indesculpáveis é a perda definitiva da inocência, não só a nossa individual mas a de toda a humanidade. Filme exigente e revelador do surpreendente talento do jovem Antti-Jussi Annila, “Sauna” faz parte das melhores propostas que se viram durante o Festival, nada menos.
Depois desta assombrosa sessão, veio mesmo o filme ideal para nos recompormos, um clássico indispensável do cinema gore, the one and only “Re-Animator” de Stuart Gordon. O filme foi apresentado pelo próprio cineasta, o qual apareceu-nos como um homem discreto, humilde e quase surpreso de tanta homenagem para um simples artesão de série B. Claro que Stuart Gordon é muito mais do que isso, aliás porque “Re-Animator”, a sua primeira longa-metragem, foi um marco do género da comédia gore slapstick a par dos filmes de Sam Raimi e de Peter Jackson.

E que dizer que já não foi dito sobre esta adaptação livre de um conto do mestre Howard P. Lovecraft? Pouca coisa, a não ser que é incrível como o prazer se mantém intacto a cada nova visão do filme, o público em delírio da Sala 1 do São Jorge que o diga. Puro produto dos anos 80 que aguentou muito bem os quase 25 anos que já passaram, “Re-Animator” é um filme de puro gozo, sólido na realização e de uma imaginação sem limites no delírio gore, tirando um partido máximo de um budget mínimo. Algumas cenas já entraram no panteão das cenas mais memoráveis do cinema, como a cena da cunilíngua feita por uma cabeça à solta ou ainda toda a cena final na morgue, simplesmente dantesca. O filme também beneficia bastante da carisma muito própria do actor, na altura desconhecido, Jeffrey Combs, que com um único filme se transformaria numa ícone da serie B de terror, o cientifico alucinado Herbert West para sempre. Combs acabaria por ser um dos actores fetiches de Stuart Gordon, um pouco à maneira da dupla Sam Raimi/Bruce Campbell, participando em filmes como “From Beyond”, “Robot Jox”, “The Pit and the Pendulum”, “Fortress”, “Castle Freak”, “Edmond” e “The Black Cat”, episódio da 2ª temporada de “Masters of Horror”. Mas este formidável actor, que também merece uma homenagem, também ficou ligado ao produtor de “Re-Animator”, Brian Yuzna, realizador que se encarregou das 2 sequelas, “Bride of Re-Animator” e “Beyond Re-Animator”, estando prometida uma 3ª há algum tempo intitulada por enquanto “House of Re-Animator”, que veria o Dr. Herbert West (Jeffrey Combs of course) ressuscitar o Presidente dos Estados Unidos. Fala-se do regresso de Stuart Gordon atrás das câmaras, esperemos que assim aconteça.
Convém referir que antes da obra-prima de Stuart Gordon, foi exibido a curta portuguesa “Papá Wrestling” de Fernando Alle. Para além de se revelar uma excelente ideia dos programadores do Festival passar a curta na sessão de “Re-Animator”, já que os dois projectos partilham a mesma irreverência gore, é de louvar o trabalho de Fernando Alle por principalmente ter conseguido levar a sua ideia de partida até ao fim e ter contornado as limitações de um orçamento inexistente para compor maquilhagens particularmente eficazes dadas as circunstâncias. A história segue um miúdo martirizado por um bando de rufias lá da escola que lhe roubam a sua lancheira. Uma vez chegado a casa, a criança queixa-se ao seu pai que por ventura é um bisonte adepto do Wrestling com um look directamente herdado do Santo, célebre lutador mexicano, mas aqui versão cor-de-rosa. Quando o Papá Wrestling do título reencontra o bando de putos que roubaram o seu filho, é um verdadeiro massacre que espera os rufias. Ver a criança que faz de filho do Papá Wrestling rir à gargalhada na sala enquanto no ecrã os seus camaradas são literalmente desfeitos vivos sem que nos sejam escondidos quaisquer pormenores, foi sem dúvida um grande momento! Para ver e rever clicando aqui: "Papá Wrestling".
Para acabar a noite, duas sessões à escolha: o tailandês “4Bia” com 4 segmentos dirigidos por 4 realizadores diferentes, explorando o conhecido género do filme de fantasmas, ou a dupla sessão com o japonês “Yoroi: Samurai Zombie” de Tak Sakaguchi (penso que está tudo no título!) e com o britânico “Mum & Dad” de Steven Sheil, mais um exemplo do terror social caro aos nossos amigos ingleses.
Já que o cansaço se começa a fazer sentir, esperando-nos mais 2 dias de Festival bem recheados, e como também já vimos o “Mum & Dad” de Steven Sheil (do qual já falaremos), optamos pela quadrupla mini-dose de cinema de terror tailandês, aliás porque temos acompanhado a carreira da dupla de realizadores Banjong Pisanthanakun/Parkpoom Wongpoom, aclamados pelo filme “Shutter”, representante de qualidade do género agastadíssimo do ghost movie, e cujo segundo filme, o eficaz “Alone”, foi exibido o ano passado no MOTELx.

“4Bia” é portanto uma amostra bastante diversificada do que o género tem para dar no seu berço de origem, ou seja, o continente asiático e aqui em particular, a Tailândia. Os 4 segmentos poderão dividir-se da seguinte forma, o primeiro “Happiness” e o último “Last Fright” representam a vertente tradicional do género com aparições assustadoras regulares e motivações reveladas do fantasma, o segundo segmento “Tit for Tat” quer-se mais moderno na realização e assume-se quase como um filme de acção sobrenatural com mais gore do que o habitual para o género, por fim, o terceiro segmento “In the Middle” tem por objectivo a desconstrução do género com artifícios de argumento auto-reflexivos e self-conscious.
À semelhança de outros exemplos de filmes plurais divididos em segmentos, como “Three” de Kim Jee-Won, Nonzee Nimibutr e Peter Chan ou “Three... Extremes” de Takashi Miike, Fruit Chan e Park Chan-Wook para citar os exemplos mais recentes, “4Bia” é prejudicado pela disparidade de qualidade entre os segmentos. Se no final, o balanço acaba por ser relativamente positivo, destacam-se facilmente o primeiro e o terceiro segmentos, enquanto o último segmento é aceitável e o segundo, um fracasso.
Com a sua história de uma jovem rapariga imobilizada em casa após um acidente de táxi e que troca mensagens por sms com um desconhecido, “Happiness” de Youngyooth Thongkonthun (os dois filmes da saga “The Iron Ladies”) não inventa mas aplica com uma eficiência surpreendente todos os códigos do género. Crescendo progressivo do ambiente de terror, câmara certeira no seu posicionamento, utilização judiciosa e parcimoniosa da cenas de susto com um excelente recurso à escuridão e um ligeiro twist final sujeito à interpretação, não inovador, mas suficientemente bem gerido para convencer. Notável e conseguida tentativa de filme de fantasmas e sem dúvida um bom começo para esta antologia.
Mas o segundo segmento “Tit of Tat” de Paween Purikitpanya (“Body #19”) vem infelizmente resfriar os ânimos. Se a tentativa de modernizar um género por vezes demasiado preso aos seus códigos internos é digna de reparo, o resultado no ecrã é particularmente falhado. A história é tradicional com um grupo de alunos objectos da vingança de um fantasma de outro aluno que atormentaram até matá-lo por acidente mas o tratamento visual assemelha-se à actual estética do torture porn à la “Saw”, ou seja, câmara epiléptica, fotografia saturada de cores fortes e recurso ao gore digital. Resulta um segmento extremamente cansativo e histérico com efeitos especiais digitais mal executados que prejudicam completamente a credibilidade da história.
Chega então o terceiro segmento, “In the Middle” de Banjong Pisanthanakun (“Shutter”, “Alone”), e voltamos à qualidade e à inteligência do cinema tailandês que apreciamos. Aventurando-se no terreno arriscado do filme auto-reflexivo que brinca com os códigos do género e passa o seu tempo a piscar o olho ao espectador, “In the Middle” safa-se surpreendentemente bem graças a um ritmo narrativo rápido, piadas que têm mesmo piada, uns actores em sintonia perfeita com o tom do filme, uns sustos eficazes e um twist final bem apanhado. Sem falsas ironias ou desdém pelo género, “In the Middle” cumpre o seu objectivo sem problemas, fazer rir e assustar ao mesmo tempo, o que nunca é fácil.
Para acabar, temos “Last Fright” de Parkpoom Wongpoom (“Shutter”, “Alone”) que conta a história de uma hospedeira que terá de enfrentar sozinha e em pleno voo o fantasma da mulher do seu amante. “Last Fright” demonstra também alguma eficácia, aliás porque o seu realizador sabe compor cenas de susto, mas não convence tanto como os melhores segmentos desta antologia porque falha em interessar-nos pelo suposto calvário da sua personagem principal e sobretudo porque não consegue evitar alguma previsibilidade dos acontecimentos. “4Bia” conclui-se portanto com um segmento à sua imagem global, ou seja, uma antologia eficaz mas que nem sempre convence. Uma sequela já está em preparação, veremos qual será desta vez o resultado, aliás porque o cinema tailandês de género merece toda a nossa atenção. De referir que a sessão de “4Bia” era antecedida por mais uma curta portuguesa em competição, “A Aposta” de Vasco Sequeira cujo trabalho visual se revelou acima da média dos seus concorrentes.

Para encerrar este dia 3 do MOTELx 2009, uma palavra sobre “Mum & Dad” de Steven Sheil que já tínhamos visto e que faz prova mais uma vez do excelente momento que atravessa o cinema de género inglês.
Primeiro filme do londrino Steven Sheil, realizado por uns míseros 125.000 Euros, “Mum & Dad” está completamente em contra-corrente com o que o seu plot poderia deixar antever. Nas mãos de um estúdio de Hollywood com um tarefeiro qualquer atrás das câmaras e teríamos direito ao habitual dilúvio de gore filmado a videoclip da MTV sem nenhum nível de leitura ou crítica social. Mas isto não corresponde de facto em nada ao projecto de Steven Sheil que, para além de restrições orçamentárias evidentes, procurou reinterpretar alguns clássicos do cinema de terror dos anos 70 através do prisma do que conhece, o realismo social britânico na sua vertente mais sórdida.
Assim, é convocado o fantasma do incontornável “The Texas Chain Saw Massacre” de Tobe Hooper, influência evidente de um Steven Sheil que recusa os efeitos grandiloquentes para privilegiar um ambiente realista directamente herdado da escola do cinema social britânico (Ken Loach, Mike Leigh e companhia) no intuito de esgaravatar os males escondidos da sagrada instituição que representa a família. Em consonância com as démarches de um Shane Meadows ou do recente "Eden Lake" de James Watkins, Inglaterra está aqui debaixo da câmara analítica de Steven Sheil que questiona sem julgar sobre o que se passa na cabeça dos seus compatriotas, o que resulta num filme particularmente doentio e ambíguo mas sempre subtil.
Mesmo se o cineasta nem sempre evita algumas quebras de ritmo dado o seu filme passar-se num único local, “Mum & Dad” instila devagar mas seguramente um clima opressivo e perturbador que se revela mais profundo e dourador por assentar não em efeitos in your face e graficamente violentos mas sim em pequenas escolhas certeiras como a cena do dedo do pé ou o pormenor de um filme pornográfico a passar na televisão como pano de fundo de um jantar familiar à partida banal.
Banal é aliás a palavra perfeita para descrever o que tanta perturba neste filme. Os pais do título do filme são à partida pessoas iguais a tantas outras, a casa onde vivem também, as suas aspirações de vida igualmente, tudo à volta deles faz parte do quotidiano de toda a gente. Só que aos poucos e de forma inteligentemente regrada, tudo se revela diferente, doentio, imundo, revoltante, pervertido.

No final, “Mum & Dad” poderá sofrer da sua condição de pequeno filme mas Steven Sheil soube sem dúvida tirar partido dessa condição e, também graças a um elenco muito inspirado, fez um filme credível e particularmente convincente no retrato de uma família aparentemente normal mas pervertida até ao tutano, proporcionando um olhar desabusado sobre questões ainda tabus nas nossas sociedades através de uma economia de efeitos impressionante. Os cineastas britânicos têm sido exímios nesse aspecto, desmarcando-se assim de cinematografias de outras nacionalidades ao conquistar um lugar à margem dentro do género e relembrando um dos princípios fundamentais do cinema de terror, fazer reflectir o espectador sobre a nossa sociedade.
É agora mais um dia pleno que nos espera amanhã Sábado, penúltimo dia do Festival, onde se destacam vários filmes muito aguardados, nomeadamente “Vinyan” de Fabrice Du Welz, “Deadgirl” de Marcel Sarmiento e Gadi Harel, “Pontypool” de Bruce McDonald ou ainda “Macabre” dos Mo Brothers. Stay tuned!