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sábado, 5 de setembro de 2009

"[Rec] 2": final trailer

"[Rec] 2" de Jaume Balagueró e Paco Plaza arrasou pura e simplesmente os espectadores do actual Festival de Veneza que já lançaram discursos a compará-lo com o "Aliens" de James Cameron ou o "Evil Dead 2" de Sam Raimi para dar uma ideia do seu poderio como sequela a ultrapassar o filme original.
Entretanto, já temos o trailer definitivo do filme e, de facto, isto vai partir tudo! Estreia a 09 de Outubro em Espanha e ainda sem data em Portugal (Fantasporto 2010?), já sabemos também que a dupla de realizadores não irá sentar-se atrás das câmaras em caso "[Rec] 3". Parece-me que vamos ter uma despedida à altura...

(clicar no poster para aceder ao final trailer)

domingo, 10 de janeiro de 2010

"Fantasporto 2010": programação provisória

Após uma primeira antevisão do Fantasporto 2010, foram divulgadas as programações provisórias do Grande Auditório e do Pequeno Auditório do Teatro Rivoli.
Ainda faltam certamente anunciar uns filmes e umas datas mas grosso modo a edição de 2010 do Festival nacional de cinema com maior notoriedade lá fora não deverá fugir muito desta programação.
E como tem vindo a ser infelizmente habitual, estamos um pouco desiludidos porque, apesar de marcarem presença vários filmes muito aguardados e indispensáveis a um Festival desta natureza, o Fantasporto continua a sofrer de uma esquizofrenia identitária problemática no que toca a definir uma linha editorial coerente e sólida.
Resultado, o Fantasporto acaba por se revelar insatisfatório enquanto festival de cinema fantástico e de género, dado a dimensão internacional que supostamente tem e que o deveria levar a competir com Festivais como Sitges por exemplo, e inconsequente, quase amador, enquanto festival de cinema generalista ou de autor quando comparado com toda a concorrência existente, internacional ou nacional (Indie Lisboa, Estoril Film Festival). Sem falar que este ano é o 30º aniversário do Fantas, obrigação de uma programação bombástica, e também da constatação que filmes muito esperados vêem a sua estreia nacional adiada vários meses só para alimentar o Fantasporto (ex: "Thirst", "Jennifer's Body", "[Rec] 2"), deixando pensar que só assim o festival consegue grandes cabeças de cartaz.
Enfim, as vezes as incompreensíveis buscas de respeitabilidade têm destas coisas, mas vamos ao que interessa, destacando os filmes que pessoalmente mais nos interessam nesta edição 2010 do Fantasporto, tendo em conta apenas as competições oficiais, e que finalmente até são numerosos:
- "Heartless" de Philip Ridley
- "The Human Centipede (First Sequence)" de Tom Six
- "Solomon Kane" de Michael J. Bassett
- "The Descent: Part 2" de John Harris
- "Tetsuo: The Bullet Man" de Shinya Tsukamoto
- "Thirst" de Park Chan-Wook
- "Valhalla Rising" de Nicolas Winding Refn
- "Possessed" de Lee Je-Yong
- "Air Doll" de Hirokazu Kore-Eda
- "Hierro" de Gabe Ibañez
- "[Rec] 2" de Jaume Balagueró e Paco Plaza
- "Deliver Us From Evil" de Ole Bornedal
- "First Squad" de Yoshiharu Ashino
- "Splice" de Vincenzo Natali
- "Sauna" de Antti-Jussi Annila
- "The Crazies" de Breick Eisner
Ficam aqui portanto os links para aceder as programações provisórias dos dois auditórios do teatro Rivoli:

sábado, 6 de junho de 2009

"[Rec] 2": fps live

O shocker mais aclamado de 2007 (2008 em Portugal), o incontornável "[Rec]" de Jaume Balagueró e Paco Plaza, está prestes a ter uma sequela, o que não será surpresa para ninguém dado o tremendo sucesso que acompanhou o primeiro filme.
De momento em pós-produção e preparado para estrear no último trimestre do ano, já foram divulgados vário teasers e clips na Net, dos quais escolhemos destacar o mais explícito, demonstrando que este segundo filme vai enveredar para um caminho muito mais marcado pela acção e pela lógica do jogo de vídeo.
De facto, a história começa imediatamente após os eventos do primeiro filme quando um grupo de intervenção das forças especiais penetra no prédio e depara-se com quantidade de zombies. Os tiroteios sangrentos podem começar com uma perspectiva first-person shooter digna do célebre jogo "Doom" entre outros.
Com essa optíca, "[Rec] 2" vai de certeza dar mais uma vez nas vistas e dar que falar e, potencialmente, revelar-se ainda mais jubilatório e hardcore do que o primeiro filme.

domingo, 2 de agosto de 2009

"[Rec] 2": mais um teaser

Aqui está o 3º teaser do aguardado "[Rec] 2" e isto parece cada vez mais promissor. Enjoy!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

"[Rec] 2": a sequela quase pronta!

Actualmente em plena rodagem, Jaume Balagueró e Paco Plaza estão quase a terminar a aguardada sequela do seu último sucesso, simplesmente intitulado "[Rec] 2".
Ainda não sabemos verdadeiramente qual será a história e que ponto de vista vamos acompanhar agora mas já se sabe que os eventos desta sequela terão lugar apenas 15 minutos após o final tenebroso do primeiro filme e supostamente no mesmo edíficio.
Para fazer crescer o buzz, aqui está uma foto bem evocativa e um primeiro teaser onde quase não se vê nada!

(clicar na foto para aceder ao teaser)

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Estreias de Abril: os filmes a ver (1ª parte)

Tendo em conta o volume crescente de estreias semanais que se tem verificado no nosso circuito comercial, esta rubrica pretende direccionar os amantes de cinema de género através os meandros diabólicos tecidos pelas distribuidoras nacionais, entre aquele cinema de autor pretensioso e pseudo-intelectual pensado exclusivamente para quem o faz e para os críticos que querem ficar bem vistos e o lixo industrial vindo de Hollywood que contamina os multiplexes e os seus zombies auto-denominados fãs de cinema.
Assim e esperando-se que não haja as habituais alterações do calendário das estreias, 5 filmes destacam-se este mês. Para já, ficam aqui 2 deles:

- "[Rec]" de Jaume Balagueró e Paco Plaza:
Este filme de terror espanhol já dispensa apresentações, tanto tem sido o seu sucesso e a sua aceitação pelos fãs de cinema de género, nomeadamente no último Fantasporto. De facto, é um filme que se deve experienciar numa sala de cinema se o espectador quer desfrutar plenamente do que o filme tem para oferecer, ou seja, uma eficácia imparável. Como se tem visto, está na moda os filmes realizados em câmara subjectiva e ao estilo documentário (câmara ao ombro e grão da imagem) mas, apesar do conceito continuar a ser particularmente artificial, "[Rec]" é no entanto bem superior aos sobrestimados "The Blair Witch Project" ou "Cloverfield", simplesmente porque a dupla atrás das câmaras tem uma verdadeira visão de cinema (sobretudo Balagueró aliás) o que não é o caso dos dois filmes pré-citados (Myrick e Sánchez limitam-se neste momento a fazer filmes de série B ou Z em DTV e Matt Reeves está apenas ao serviço de um produto marketing).
Assim, "[Rec]" é coerente e tem mais ideias de cinema por cena do que esses 2 filmes juntos, conseguindo até dar uma espessura dramática bastante interessante à sua história básica num final deveras perturbador. O verdadeiro problema do filme reside finalmente no que faz a sua força, i.e., o seu próprio conceito que num efeito perverso limita consideravelmente o impacto do filme no tempo, não sobrevivendo a várias visões. Em conclusão, um bom filme de terror com um efeito imediato que poucos outros filmes do género se podem orgulhar de atingir mas que demonstra também que nada é mais poderoso que um puro filme de cinema com tudo o que isso implica de efeitos de mise en scène, ambientes trabalhados e planos de câmara arrojados. Aliás bastará comparar o primeiro filme de Jaume Balagueró, "Los Sin Nombre", a este "[Rec]" para constatar que o primeiro ainda perturba a nossa memória passado quase 10 anos enquanto este último irá dissipar-se tão rápido quanto o seu impacto foi forte. De todas as maneiras, não percam este rollercoaster bem feito dentro das suas pretensões, o thrill proprocionado vale sem dúvida a pena. Estreia a 10 de Abril.

- "Youth Without Youth" de Francis Ford Coppola:
Ora aqui está um filme que não se enquadra precisamente no cinema de género mas como somos cinéfilos antes de ser aficionados de cinema de género, é portanto impossível não destacar o novo filme de Francis Ford Coppola, o outrora genial cineasta por trás de "The Godfather", "The Conversation", "Apocalypse Now", "Rumble Fish" ou ainda "Tucker". Há muito tempo que Francis Ford Coppola já não é o realizador de obras-primas que conhecíamos, aliás os anos 90 foram o início da decadência. Mesmo se "The Godfather: Part III" e "Dracula" apresentam fortes qualidades, já os sinais não enganavam e o que veio a seguir veio confirmar que o realizador já não tinha aquela mestria característica dos maiores. "Jack", "The Rainmaker" e o pesadelo "Supernova" (substituiu Walter Hill quando lhe foi retirado o filme) acabaram com um cineasta conhecido pela sua integridade artística e também a sua megalomania.
O projecto "Youth Without Youth" foi portanto inesperado e apresenta-se como uma obra pessoal para o realizador, longe dos grandes estúdios de Hollywood, feito em paz e serenidade, enquadramento que não é propriamente habitual para Francis Ford Coppola. É assim esperado um filme introspectivo e filosófico, apoiando-se principalmente nas suas personagens e onde acreditamos que poderemos reencontrar a forma peculiar de realizar de Coppola, essa tão própria narrativa épica cheia de emoção contida. Esperemos que este seja o regresso definitivo de um grande senhor da 7ª Arte, apesar da gélida recepção da qual foi objecto "Youth Without Youth". Estreia a 10 de Abril.

Falaremos em breve dos outros 3 filmes en questão. Keep watching!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

"Venezia 66": 66º Festival de Veneza

O Festival de Veneza 2009 está prestes a arranquar, decorrendo de 02 a 12 de Setembro e, como tem sido habitual nas últimas edições, a programação está excelente, fazendo cada vez mais deste Festival italiano o melhor dos 3 grandes Festivais europeus tradicionais de cinema.
Serão portanto exibidos em competição oficial este ano, filmes como "Accident" de Soi Cheang, "Mr. Nobody" de Jaco Van Dormael, "Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans" de Werner Herzog, "The Road" de John Hillcoat, "Capitalism: A Love Story" de Michael Moore, "Il Grande Sogno" de Michele Placido, "Survival of the Dead" de George A. Romero, "Life During Wartime" de Todd Solondz, "Baarìa" de Giuseppe Tornatore e "Tetsuo: The Bullet Man" de Shinya Tsukamoto.
Fora da competição e noutras variadíssimas secções paralelas, poderão ainda ser vistos "[Rec] 2" de Jaume Balagueró e Paco Plaza, "The Hole" de Joe Dante, "Napoli Napoli Napoli" de Abe Ferrara, "Brroklyn's Finest" de Antoine Fuqua, "The Men Who Stare at Goats" de Grant Heslov, "Yona Yona Penguin" de Rin Taro, "The Informant!" de Steven Soderbergh, "South of the Border" de Oliver Stone, "Valhalla Rising" de Nicolas Winding Refn, "La Horde" de Yannick Dahan e Benjamin Rocher, "Rambo" de Sylvester Stallone versão Director's Cut e "The Movie Orgy-Ultimate Version" de Joe Dante, sem esquecer a atribuição mais do que merecida do Golden Lion for Lifetime Achievement ao grande John Lasseter e aos seus companheiros realizadores da Pixar, sendo projectados os filmes "The Incredibles", "Up", "Finging Nemo", "Toy Story 3-D" e Toy Story 2 3-D".
E é sem dúvida mais um Festival de alto nível que espera os visitantes de Veneza na próxima semana, a não perder para quem puder.

(clicar no poster para aceder ao site oficial do Festival)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

"Fantasporto 2010": antevisão

Previsto de 26 de Fevereiro a 06 de Março, o Fantasporto, festival português com maior notoriedade internacional, prepara-se para festejar os seus 30 anos de existência com a sua edição de 2010, esperando-se portanto uma certame à altura do evento.
Ainda não há programação completa mas já há pelos menos alguns filmes anunciados assim como as temáticas de algumas secções para além das oficiais, nomeadamente Cinema Fantástico, Semana dos Realizadores, Orient Express e Anima-te & Porto em Curtas.
Vamos portanto encontrar a secção Premiere & Panorama, que tem vindo a ser habitual nos últimos anos procurando divulgar um leque muito diversificado de filmes em termos de nacionalidades e de géneros. Estão previstas as indispensáveis Retrospectivas, este ano, uma Retrospectiva de Cinema Francês e uma Retrospectiva Cinema e Robótica. De referir também uma Homenagem ao realizador português Luís Galvão Teles.
Novidade de peso, um Workshop de Efeitos Especiais com David Marti, técnico espanhol oscarizado pelo seu trabalho na obra-prima de Guillermo Del Toro "El Laberinto del Fauno", e outro com Colin Arthur, make-up artist veterano também espanhol que trabalhou em filmes como "2001: A Space Odyssey", "Clash of the Titans", "Conan the Barbarian", "Abre los Ojos" ou "Sexy Beast".
A nível dos filmes já anunciados, teremos na sessão de abertura oficial "Solomon Kane" de Michael J. Bassett e na sessão de encerramento "The Crazies" de Breck Eisner, remake do filme de George A. Romero. Estas escolhas pode eventualmente deixar dúvidas no que diz respeito à qualidade dos filmes em causa (mesmo se posso desde já adiantar que "Solomon Kane" está longe de ser tão mau como tem sido dito pela Net fora) mas pelo menos mostra que os organizadores do Fantas regressam ao cinema de género, ao contrário de alguns anos anteriores onde havia uma nítida tentativa de abandonar progressivamente a especificidade deste Festival, no nosso entender um tiro no pé uma vez que é precisamente o cinema de género que permitiu ao Fantasporto ser o que é hoje.
Os restantes filmes por enquanto previstos deixam antever uma edição 2010 potencialmente interessante, sendo eles: "[Rec] 2" de Jaume Balagueró e Paco Plaza, o aguardadíssimo "Splice" de Vincenzo Natali, "Thirst" de Park Chan-Wook, "Tetsuo: The Bullet Man" do indispensável Shinya Tsukamoto, "The Descent: Part 2" de John Harris, "Fish Tank" de Andrea Arnold, "Dolan's Cadillac" de Jeff Beesley, "The Time That Remains" de Elia Suleiman, "Vampire Girl vs Frankenstein Girl" de Yoshihiro Nishimura, "Air Doll" de Hirokazu Kore-Eda e ainda "RoboGeisha" de Noboru Iguchi.
Resta aguardar para mais informações e pela programação completa, esperando que mais filmes importantes do cinema que defendemos aqui sejam anunciados.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

"Sitges 2009": programação provisória

Enquanto acabámos de sair de um MOTELx 2009 imperial que deixa muitas esperanças para as edições futuras, o maior Festival Internacional de Cinema Fantástico que irá decorrer de 01 a 12 de Outubro, o incontornável Sitges 2009, já divulgou os filmes mais importantes que irão compor o seu cartaz deste ano e, como sempre, é um edição de grande qualidade que se prepara.

Assim, destacam-se os seguintes filmes:

- "[Rec] 2" de Jaume Balagueró e Paco Plaza (filme de abertura)
- "Hierro" de Gabe Ibáñez
- "Ingrid" de Eduard Cortés
- "Enter the Void" de Gaspar Noé
- "Kinatay" de Brillante Mendoza
- "Splice" de Vincenzo Natali
- "Mr. Nobody" de Jaco Van Dormael
- "Accident Happens" de Andrew Lancaster
- "Cold Souls" de Sophie Bartes
- "Timer" de Jac Schaeffer
- "La Horde" de Yannick Dahan e Benjamin Rocher
- "Les Derniers Jours du Monde" de Jean-Marie e Arnaud Larrieu
- "The Children" de Tom Shankland (exibido no MOTELx 2009)
- "Dorian Gray" de Oliver Parker
- "Accident" de Soi Cheang
- "Thirst" de Park Chan-Wook
- "Yatterman" de Takashi Miike
- "Grace" de Paul Solet (exibido no Fantasporto 2009)
- "Dogtooth" de Giorgos Lanthimos
- "Moon" de Duncan Jones
- "The Countess" de Julie Delpy
- "Ne Te Retourne Pas" de Marina de Van
- "Metropia" de Tarik Saleh

Para quem tiver na Catalunha na primeira quinzena de Outubro, já sabe o que tem de fazer!

(clicar no poster para aceder ao site oficial do Festival)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

"[Rec] 2": novo poster

sábado, 24 de maio de 2008

Estreias de Maio: os filmes a ver (2ª parte)

Antes que chegue o final do mês de Maio, cá estamos para acabar a nossa review das diversas estreias.
Após uma 1ª parte onde falamos dos filmes menos recomendáveis, sendo de referir que “Pathology” de Marc Schoelermann e “Cleaner” de Renny Harlin já não irão estrear e ainda não têm nova data, vamos agora abordar os filmes que mais esperávamos ver estrear no circuito comercial nacional.

- “My Blueberry Nights” de Wong Kar Wai:
O último filme de um dos prodígios do cinema de Hong-Kong dito de autor, que fez a recente abertura do IndieLisboa 2008, era esperado com alguma curiosidade. De facto, Wong Kar Wai, que nos deu filmes do calibre de “Chungking Express”, “Ashes of Time”, “Fallen Angels” e “In the Mood for Love”, parecia ter chegado ao limite do seu cinema com “2046”, ensaio plasticamente superior mas particularmente vácuo e, no final, uma caricatura dos seus filmes, marca de um cineasta num impasse artístico.
Nesse contexto, “My Blueberry Nights” pode ser visto de 2 maneiras: como mais uma prova que Wong Kar Wai já não é o realizador que era, o filme estando sem dúvida muito longe da qualidade dos seus melhores filmes, ou então como o primeiro passo imperfeito para uma possível recuperação, deixando algum esperança aos seus fãs da primeira hora.
À partida, temos vontade de nos inserir na 2ª categoria mesmo se “My Blueberry Nights” não pode deixar de constituir uma pequena desilusão. O problema fundamental deste primeiro ensaio americano do realizador chinês é não trazer rigorosamente nada de novo no âmbito da sua filmografia. Tal constatação pode justificar-se pelo facto de Wong Kar Wai ter feito este filme para um público que não o conhece e, nesse aspecto, quem descobrir o cineasta com este filme será sem dúvida brindado com histórias de amor filmadas e contadas como raramente viu. Mas para o conhecedor do seu cinema, “My Blueberry Nights” é uma pálida cópia dos grandiosos momentos de emoção que já tivemos o prazer de descobrir com os seus filmes anteriores. Assim, “My Blueberry Nights” desfruta-se com um distanciamento um pouco prejudicial e passamos pelas histórias e problemas de vida das várias personagens sem grande implicação emocional.

Mas, em defesa do filme e em comparação com o ensaio falhado “2046”, temos de reconhecer que o realizador reencontra aqui uma saudável coerência narrativa e, sobretudo, uma autenticidade com uma verdadeira história e verdadeiras personagens, longe da artificialidade do seu filme anterior tão profundo como uma publicidade Chanel. Filmado com o savoir-faire habitual e, pela primeira vez sem o Director de Fotografia Christopher Doyle desde “Days of Being Wild”, substituído pelo não menos dotado Darius Khondji (“Delicatessen”, “La Cité des Enfants Perdus”, “Seven”, “Panic Room”), “My Blueberry Nights” tem de ser visto como o início de uma nova fase da carreira de Wong Kar Wai, mais banal e abordável mas bem superior às propostas ocidentais do género. Com alguma indulgência que o cineasta nos merece, queremos acreditar com este “My Blueberry Nights” que Wong Kar Wai está na via da recuperação e não abandonamos por completo a esperança de rever um dia o chinês fazer um filme tão poderoso como “In the Mood for Love” por exemplo (ah, esses olhares tão implicativos, esses não ditos tão evocativos!). Será já com o seu próximo “The Lady from Shanghai”? Esperemos bem que sim.

- “La Habitación de Fermat” de Luis Piedrahita e Rodrigo Sopeña:
Infelizmente muito mal distribuído (2 salas a nível nacional), ainda não tivemos oportunidade de descobrir uma das sensações do último Fantasporto, onde arrecadou o prémio de Melhor Argumento na Secção Oficial Cinema Fantástico e o importante prémio Meliès d’Argent.
“La Habitación de Fermat” da dupla espanhola Luis Piedrahita e Rodrigo Sopeña foi sem dúvida uma surpresa no Fantasporto 2008, estando inicialmente na sombra dos seus compatriotas “[Rec]”, “El Orfanato” ou o grande esquecido do palmarés “Los Cronocrimenes”. A perícia e vitalidade do cinema de género espanhol já não precisa de apresentação e “La Habitación de Fermat” poderá ser mais um representante desse estado de facto.
Também escrito pela dupla, o filme conta a história de 4 matemáticos, que não se conhecem uns aos outros, convidados por um misterioso anfitrião sob o pretexto de resolver um complexo enigma. Fechados num quarto que se revela uma mortífera cilada, encolhendo progressivamente à medida que o tempo passa, o grupo improvisado deverá encontrar muito rapidamente o que os conecta e quem poderá ter interesse em matá-los, sob pena de ser literalmente esmagados pelas paredes do quarto.

Relembrando “Cube” de Vincenzo Natali com o seu argumento paranóico e claustrofóbico, as suas personagens forçadas a trabalhar em grupo, as suas enigmas por resolver e o seu único cenário, “La Habitación de Fermat” é daqueles pequenos filmes cujo orçamento microscópico tenta ser compensado por uma realização funcional que tira proveito de todos os recantos do seu cenário único e, sobretudo, por um argumento engenhoso que reserva o seu lote de surpresas.
O filme tem assim beneficiado de um pequeno buzz bastante favorável, se bem que não tanto como algum dos seus semelhantes predecessores ou compatriotas à partida mais arrojados. Como é sempre bom apoiar este tipo de projecto modesto e geralmente respeitoso do género e dos espectadores, é com alguma expectativa que iremos descobrir o filme. O que nos faz pensar mais uma vez como é possível não existirem projectos deste tipo em Portugal, eis um verdadeiro enigma!

- “Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull” de Steven Spielberg:
Dizer que este filme era esperado, é de uma evidência flagrante. E de certeza que muitos de vocês, como nós aliás, já terão ido a correr ver o que é que o 4º episódio de uma das mais amadas sagas da 7ª Arte nos reservava.
O filme já estreou em Portugal e no mundo inteiro precedido de uns rumores particularmente desfavoráveis, descrevendo o filme como uma das maiores desilusões da história, comparável à desilusão vivida com a descoberta do “Star Wars: Episode I – The Phantom Menace” de George Lucas. Convém, antes de tudo, contrariar estas afirmações que nada têm a ver com a realidade.
Primeiro ponto, sim, “Indiana Jones 4” é uma desilusão quando comparado com os filmes anteriores, sobretudo os 2 primeiros. Segundo ponto, não, “Indiana Jones 4” não é um mau filme e em nada se compara ao terrível sentimento experienciado com “The Phantom Menace”. É inegável que este 4º filme da saga “Indiana Jones” apresenta defeitos surpreendentes, nomeadamente a nível do argumento, resultando no filme mais fraco da saga.
É de conhecimento geral que arranjar um argumento para o filme foi um processo complicado, tendo sido requerido a intervenção de vários grandes nomes de Hollywood como Tom Stoppard, M. Night Shyamalan ou Frank Darabont. Este último viu o seu trabalho, unanimemente reconhecido como excelente, rejeitado por George Lucas, que acabou por escrever ele próprio uma história em parceria com Jeff Nathanson, autor que já tinha trabalhado com Steven Spielberg em “Catch Me If You Can” e “The Terminal”. Por fim, coube a David Koepp, talentoso mas inconstante argumentista de “Carlito’s Way”, “Spider-Man e “War of the Worlds”, elaborar o screenplay definitivo, recuperando várias ideias abandonadas de anteriores drafts.

E estas complicações e misturadas de várias versões prejudicam fortemente a narrativa do filme para além de que o mistério escolhido não é de facto a opção mais acertada. Assim, todo o início do filme até ao começo da busca do Indy acompanhado do jovem Mutt está especialmente bem esgalhado. Cena introdutória eficaz na acção e na apresentação das personagens, contexto da época (aqui os anos 50 com a guerra fria e a caça às bruxas) bem caracterizado, tema da velhice do herói e da perda de alguns entes queridos bem introduzido, ritmo narrativo nervoso e elevado. A isso tudo, se juntarmos a realização como sempre impecável de Steven Spielberg (veja-se a primeira cena do filme com uma fluidez de planos alucinante, a acção do armazém filmada old school e a ressuscitar sem falhas o mito Indy, a perseguição de mota ultra eficaz), o filme não poderia começar melhor.
Entrando no coração da história e na busca da famosa caveira de cristal, as coisas infelizmente complicam-se. O filme não mantém o ritmo endiabrado, torna-se verboso e explicativo, esquece-se dos temas introduzidos na primeira parte e transforma-se num serial de aventuras menos convincente que sobrevive graças à mestria técnica de Spielberg, à qualidade da generalidade do elenco (sobretudo Harrison Ford) e à nostalgia que se apodera de nós até ao final do filme. Apesar de progressivamente o espectador se desinteressar da história principal, que não foi sem dúvida a escolha mais feliz, Spielberg salva o filme com uma série de cenas antológicas, exageradas e inverosímeis à boa maneira da saga, e de uma interacção entre as diversas personagens jubilatória (as discussões constantes entre Indy e Marion, a química evidente entre Indy e Mutt).
No final, e a diferença fundamental entre este “Indiana Jones 4” de Steven Spielberg e “The Phantom Menace” de George Lucas, é que Spielberg nunca trai a essência da famosa saga, preservando o ambiente visual (excelente trabalho de Janusz Kaminski em reproduzir a fotografia de Douglas Slocombe nos 3 primeiros filmes), o carácter das personagens e o sentido de espectáculo que estamos no direito de esperar de um tal filme, em suma exactamente o contrário do péssimo trabalho de George Lucas na destruição imperdoável da saga “Star Wars”.
E, apesar de todos os evidentes defeitos do filme, convém relembrar que o anterior “Indiana Jones and the Last Crusade” estava longe de ser perfeito e que, mesmo assim, este 4º episódio é largamente superior à média dos toscos blockbusters que Hollywood tem produzido nos últimos anos. Só por isso...

Relativamente ao último filme deste mês que nos interessou, “Triangle” de Tsui Hark, Ringo Lam e Johnnie To, o mesmo pareceu-nos merecer uma crítica digna desse nome, portanto podem no post a seguir descobrir o que é que achamos deste autêntico filmaço.

Ficamos então desde já com encontro marcado no sítio do costume para falarmos do mês de Junho que nos irá trazer uma quantidade de filmes muito esperados como “Before the Devil Knows You’re Dead”, “The Happening”, “El Orfanato” ou ainda “Speed Racer”. Stay Tuned!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

"Top 20": os melhores de 2008

Sendo que vou estar uma temporada de férias e só estarei de regresso por volta do dia 20 de Dezembro, o blogue vai ficar parado até lá.
Por isso, decidi desde já postar o meu Top dos melhores filmes de 2008, assumindo que o bombástico "Midnight Meat Train" de Ryuhei Kitamura estreia mesmo até ao final do ano como alguns sites o anunciam e tendo em conta que mais nenhum filme a estrear até 31/12 deverá conseguir postular para um lugar no meu Top ("The Day the Earth Stood Still", "The Spirit" ou "Australia" por exemplo).
Mas antes de divulgar a minha lista, não posso deixar de mencionar os excelentes filmes que ficaram de fora e que bem poderiam ter entrado no Top final:
"3:10 to Yuma" de James Mangold, "W." de Oliver Stone, "Blindness" de Fernando Meirelles, "Into the Wild" de Sean Penn, "Gone Baby Gone" de Ben Affleck, "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford" de Andrew Dominik, "Persepolis" de Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi, "Youth Without Youth" de Francis Ford Coppola e "[Rec]" de Jaume Balagueró e Paco Plaza.
Depois disto, aqui vai então a minha lista, esperando bem que os visitantes habituais deste cantinho da Net não hesitem em comentar, para o bem e para o mal, e deixem também aqui os seus Top's.

1. "No Country for Old Men" de Joel e Ethan Coen

2. "Wall-E" de Andrew Stanton

3. "Hellboy II: The Golden Army" de Guillermo Del Toro

4. "Rambo" de Sylvester Stallone

5. "Burn After Reading" de Joel e Ethan Coen

6. "El Orfanato" de Juan Antonio Bayona

7. "Triangle" de Tsui Hark, Ringo Lam e Johnnie To

8. "The Dark Knight" de Christopher Nolan

9. "Lust, Caution" de Ang Lee

10. "Before the Devil Knows You're Dead" de Sidney Lumet

11. "Diary of the Dead" de George A. Romero

12. "Halloween" de Rob Zombie

13. "There Will Be Blood" de Paul Thomas Anderson

14. "We Own the Night" de James Gray

15. "The Midnight Meat Train" de Ryuhei Kitamura

16. "Death Sentence" de James Wan

17. "The Mist" de Frank Darabont

18. "Surveillance" de Jennifer Chambers Lynch

19. "In Bruges" de Martin McDonagh

20. "Speed Racer" de The Wachowski Brothers