segunda-feira, 30 de junho de 2008

"Quantum of Solace": my name is Craig, Daniel Craig!

Nunca fui um fã da saga James Bond mas tenho de admitir que apreciei "Casino Royale" de Martin Campbell, um blockbuster muito acima da média produzida por Hollywood e sobretudo com o melhor James Bond de todos os tempos, o Sr. Daniel Craig (sim, sim, à frente de Sir Sean Connery).
"Quantum of Solace" é portanto aguardado com alguma curiosidade, desta vez dirigido por Marc Forster, realizador de filmes tão díspares como "Finding Neverland", "Stay" ou "Stranger Than Fiction", e que faz aqui o seu primeiro filme de acção. Em resumo, um realizador tecnicamente competente, capaz de contar uma história e de caracterizar minimamente personagens, a meio caminho entre o yesman respeitável e o autor sobrevalorizado. Um perfil no final parecido com o do simpático Martin Campbell, com uma pequena vantagem técnica para Forster mesmo se Campbell já oficiou directamente no cinema de género ao contrário de Forster.
E o primeiro teaser trailer mostra claramente que haverá uma continuidade com "Casino Royale", em termos visuais, no desenvolvimento de um ambiente mais rugoso e brutal e, sobretudo, na caracterização cada vez mais badass de um James Bond apenas preocupado em vingar-se, borifando-se totalmente para as ordens da sua majestade.
A estreia está prevista para dia 6 de Novembro, esperemos portanto que se mantenha o tom negro e ambíguo do filme anterior, com cenas de acção credíveis e competentes e corringindo algunas errâncias narrativas do filme de Martin Campbell. Desde que se fica longe da palhaçada de um Roger Moore e da inverosimilhança de um Pierce Brosnan, podem contar conosco!

(clicar no poster para aceder ao teaser trailer)

sábado, 28 de junho de 2008

"Vinyan": um novo "Calvaire" na selva tailandesa

O belga Fabrice Du Welz ainda não é muito conhecido dos cinéfilos que acompanham de longe o cinema de género francófono. Mas os mais atentos, e que moram em Lisboa, puderam descobrir a sua primeira longa-metragem, intitulada “Calvaire”, numa projecção organizada em 2005 pelo CTLX – Cineclube de Terror de Lisboa.

(clicar no poster para aceder ao trailer de "Calvaire")

Para terem uma ideia do talento deste senhor, “Calvaire” foi simplesmente uma das melhores propostas do género dos últimos anos, aliás desde o renascer do cinema de terror em 1999/2000. Du Welz demonstrou com a sua primeira obra uma maturidade visual e temática impressionante, prestando homenagem ao cinema dos anos 70 (o incontornável “The Texas Chain Saw Massacre” de Tobe Hooper em primeiro lugar) e ao mesmo tempo introduzindo-nos no seu universo atípico, doentio, brutal e sem concessões. “Calvaire” é no final um monumento imperdível de cinema visceral e perturbador, como qualquer filme de terror deveria ser.
Nesse contexto, não podíamos deixar passar o seu próximo projecto, que como vamos ver é mais uma promessa de cinema transgressivo e inteligente para além de fazer a prova da integridade e do amor do género sem limites de Fabrice Du Welz.
“Vinyan” (fantasma em tailandês) conta a tragédia de um casal de arquitectos (Emmanuelle Béart e Rufus Sewell) que vivem em Banguecoque. Na altura do tsunami que arrasou a região, o casal perde o seu único filho e fica desesperado. Durante o difícil processo de luto que se segue, numa festa de caridade para angariar fundos para as vítimas do tsunami, a mãe reconhece o seu filho num vídeo que mostra as consequências do desastre no país. Começa então uma terrível descida aos infernos onde a mãe, decidida a encontrar o seu filho custe o que custar, convence o seu marido a acompanhá-la numa viagem sem retorno pelas selvas tailandesas e birmãs.

(clicar na foto para aceder à ficha técnica do filme)

Temos andado de olho neste projecto mais do que aliciante há já algum tempo mas estávamos à espera de um primeiro trailer para falar deste “Vinyan”. Cá está ele então e todas as nossas esperanças acabam de crescer exponencialmente, tanto as imagens do filme prometem uma bomba de violência interior, tirando um partido alucinante dos cenários tailandeses para dissertar sobre temas tão importantes como o luto impossível, a perda de si próprio, o confronto ocidente/oriente através da dualidade antinómica razão/fé, a figura da criança e o que ela representa num mundo de adultos, etc.
Fabrice Du Welz e o seu sobredotado director de fotografia Benoît Debie compuseram imagens hipnóticas, fazendo do décor uma autêntica personagem com a utilização do máximo de luz natural possível. Assim, parece que existe um perigo a cada canto da imagem, mas um perigo de ordem sobrenatural, não palpável e sem limites, que poderá ser tão interior quanto exterior com estas figuras mais do que inquietantes de crianças fantasmagóricas.

(clicar na foto para aceder ao blogue de Fabrice Du Welz sobre "Vinyan")

Fabrice Du Welz cita como influências três filmes em particular: “Don’t Look Now” de Nicholas Roeg, “The Brood” de David Cronenberg e “Quién Puede a Matar a un Niño?” de Narciso Ibáñez Serrador. Três clássicos intemporais que tratam cada um à sua maneira da figura da criança, da consequência trágica da sua perda e da violência contida em cada uma delas inerente à sua posição na sociedade imposta pelos adultos. Três obras visionárias, transgressivas, intelectuais, formalmente superiores e atmosféricas. Características que parecem definir “Vinyan” de Fabrice Du Welz, cineasta que de certeza irá mais uma vez nos surpreender.

(clicar na foto para aceder à uma entrevista em vídeo do realizador)

Du Welz, que depois de “Calvaire”, teve a inteligência e a integridade de recusar uma série de projectos vindos de Hollywood (nomeadamente o patético remake de “The Fog”), preferindo continuar a fazer projectos pessoais. “Vinyan” demorou 4 anos a fazer e prepara-se para estrear na Bélgica e em França no próximo dia 1 de Outubro. Não há dúvidas que é de artistas deste calibre que o cinema de género precisa e, juntando-se a “Martyrs” de Pascal Augier, “Vinyan” é o filme de terror mais esperado do ano. Esperemos que desta vez, o filme chegue como deve ser a Portugal, tem de acabar de vez o verdadeiro cinéfilo ser assim tão mal tratado. ‘nuff said!

(clicar na foto para aceder ao assombroso trailer de "Vinyan")

"Punisher: War Zone": Titus Pullo's revenge

"Saw V": primeiro teaser poster

Isto ainda interessa a alguém?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Achilles and the Tortoise": Trilogia da Introspecção de Takeshi Kitano

O realizador-actor-escritor-cómico-pintor-apresentador TV japonês Takeshi Kitano já dispensa apresentações. Um dos mais iconoclastas e multifacetados artistas a actuar na 7ª Arte é um dos raros nipónicos a ter tido um certo destaque em Portugal, com várias estreias nas salas nacionais desde a obra-prima "Hana-Bi", estando também a sua filmografia bastante bem representada em DVD.
Todavia, porque há sempre um "mas" com o nosso belo país, os últimos filmes de Takeshi Kitano ainda não apareceram por cá. De facto, desde o excelente e surpreendente "Zatoichi" datado de 2003, releitura imperdível da clássica personagem de espadachim cego e invencível popularizada pelo incontornável Shintaro Katsu numa série de 26 chambaras que marcaram para sempre o género do filme de época e de sabre nipónico, que não há registo de Beat Takeshi nos grandes ecrãs portugueses.

Que é feito então de "Takeshis'" de 2005 e de "Glory to the Filmmaker!" de 2007? Boa pergunta. Será que os distribuidores nacionais estão com medo da nova vertente da carreira cinematográfica do imprevisível Kitano? Tudo deixa a pensar que sim porque, uma vez vistos os filmes, o menos que se poderá dizer é que o cineasta está decidido a partilhar com o espectador um profundo questionamento sobre a sua carreira e sobre a sua condição de artista, mero entertainer no Japão, realizador intelectual na Europa. Resultado no ecrã: dois filmes que não se parecem com nada que já se tenha visto, seja nos filmes do próprio realizador, seja no cinema em geral. Aliás, até o inclassificável "Getting Any?" de 1995 é totalmente ultrapassado em termos de absurdo e de loucura narrativa e visual.

"Takeshis'" e "Glory to the Filmmaker!" são portanto 2 mises en abîme sem precedentes que reavaliam todas as obras de Takeshi Kitano (ao ponto de parodiar muitas cenas dos vários filmes) e procuram pôr em questão o seu estatuto na indústria e a sua imagem junto da inteligentsia da crítica profissional, sobretudo europeia.

E, como Beat Takeshi já o tinha dito, essa introspecção que deixou muitos dos seus maiores fãs perplexos ou até irritados (não é o nosso caso, há muito interesse nesses 2 filmes, mesmo se temos saudades do Kitano anterior) deverá ser concluída com este 3º filme, intitulado "Achilles and the Tortoise", cujo trailer acabadinho de ser revelado destacamos aqui.
O bizarro, o grotesco, a reflexão egocêntrica, tudo marca novamente presença neste novo filme, desta vez dedicado ao Kitano pintor. Única diferença de importância, é que o filme parece muito mais um drama humano do que uma comédia feroz e sem nexo. Mas cheira-me que este trailer poderá enganar um pouco sobre a verdadeira natureza do novo trabalho de Takeshi Kitano, sendo que "Achilles and the Tortoise" (que título!) foi vendido anteriormente como mais uma comédia na onda dos 2 filmes precedentes.
Enfim, espera-nos de certeza mais um filme de doidos e único, traduzindo as escolhas arriscadas de Kitano, postura questionável mas in fine corajosa e de louvar, atendendo ao facto de ser irrecusável acompanhar um cineasta deste calibre numa tal partilha do que lhe vai na alma. É raro, para não dizer inédito, portanto Takeshi Kitano poderá sempre contar conosco. Pena é não poder contar com os distribuidores nacionais para que os filmes atrasados sejam exibidos nas nossas salas, uma vergonha!

(clicar no poster para aceder ao trailer)

"Inju, la bête dans l'ombre": Edogawa Rampo versus Barbet Schroeder

O realizador francês, de origem iraniana, Barbet Schroeder está de regresso às longas-metragens de ficção após 6 anos onde apenas dirigiu o documentário "L'Avocat de la Terreur" o ano passado.
O veterano cineasta sempre se caracterizou por uma grande versatilidade, abordando todos os géneros com mais ou menos sucesso artístico. Dos seus filmes mais marcantes, destacam-se assim o drama alcoólico "Barfly", o biopic ambíguo "Reversal of Fortune", o polar negro "Kiss of Death" ou ainda o atípico e perturbador "La Virgen de los Sicarios".
Para não fugir à regra, o seu novo filme é mais um obra diferente na sua filmografia. De facto, "Inju, la bête de l'ombre" é uma adaptação de um livro do mestre nipónico da literatura de terror e de mistério, Edogawa Rampo, justamente assimilado ao incontornável Edgar Allan Poe. "Inju" conta a história de Alex Fayard, romancista francês que se encontra no Japão para fazer a promoção do seu novo livro. Mas quando conhece a jovem e bela geisha Tamao, ameaçada de morte por um antigo amante, e decide ajudá-la, Alex Fayard vai confrontar-se com o célebre escritor Shundei Oe, autor de livros policiais e do qual Alex é o especialista em França. Começa então uma descida aos infernos por um submundo misterioso e perverso onde terá lugar uma trágica perseguição a um homem obcecado pela vingança.
Quem conhece o universo de Edogawa Rampo ("Blind Beast" e "Black Lizard" são 2 das suas obras mais conhecidas) sabe que as suas histórias são sempre marcadas por um negrume social e um clima doentio onde os sentimentos mais perversos se misturam a uma investigação policial à primeira vista tradicional.
Nesse contexto, o trailer do filme de Barbet Schroeder parece captar toda a essência do universo do escritor e, mais surpreendente, todas as particularidades do cinema japonês. É simples, se nos tivessem dito que este filme era realizado pelo genial e defunto Kinji Fukasaku (que já adaptou Rampo no cinema com justamente "Black Lizard" em 1968), se calhar teríamos acreditado. Mesma secura de imagem, mesma irrupção repentina da violência, mesma mistura de clima realista parasitado pelo mistério e o desconhecido. Sem dúvida que "Inju" se apresenta como uma excelente proposta de cinema de género, sendo que a dupla visão ocidente/oriente pode sempre proporcionar grandes momentos cinematográficos.
Previsto para estrear em França no próximo dia 3 de Setembro, esperemos que o novo filme de Barbet Schroeder chegue a Portugal porque a curiosidade está no seu auge para descobrir esta possível pérola.

(clicar no poster para aceder ao trailer e ao site oficial do filme)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

"All the Boys Love Mandy Lane": indie-slasher

A recente divulgação de um novo poster permite-nos falar sobre este filme que já data de 2006 mas que pouco a pouco tem feito o seu pequeno efeito na comunidade geek através sobretudo da sua passagem em alguns festivais de cinema de renome (Toronto, Stiges, Gérardmer).
"All the Boys Love Mandy Lane", primeira longa-metragem do jovem Jonathan Levine, é portanto uma proposta de slasher que nada à primeira vista diferencia do banal produto de Hollywood que nos mostra um bando de jovens descerebrados a serem chacinados por um assassino misterioso.
Todavia, aqueles que o têm defendido descrevem um filme muito mais abrangente e profundo do que um básico slasher, mistura de um horror movie eficaz e bem realizado com uma reflexão sobre a adolescência na sua vertente mais negra onde impera a ingenuidade, a arrogância, a traição e a humiliação. Os mais entusiastas chegam ao ponto de relatar um filme lírico sobre a passagem à idade adulta com um ambiente de terror na onda do puro cinema badass dos anos 70 encabeçado pelo "Texas Chain Saw Massacre" de Tobe Hooper.
Se estamos à partida dubitativos, um facto é que o trailer e outras imagens demostram um arrojo de realização pouco habitual para este tipo de série B americana e o filme parece ter ambiente, o que é meio caminho andado para conseguir um filme de género digno desse nome. Aliás, o filme tem sido tão bem falado que deverá ser objecto de um estreia discreta nos cinemas norte-americanos no próximo mês de Agosto.
"All the Boys Love Mandy Lane" é então uma curiosidade, sem dúvida que valerá mais do que os direct-to-video habituais, mas esperemos que o hype, que já nos deu vontade de descobrir o filme, não seja mais uma vez exagerado. Wait and see!

(clicar no poster para aceder aos trailers)

terça-feira, 24 de junho de 2008

"The New World": extended cut

Já esperávamos por isto desde a estreia do filme em DVD e, apesar de todo o tempo passado, ainda queríamos acreditar que esta ansiada versão longa chegaria finalmente ao mercado DVD. Aleluia, é portanto mais 30 minutos desta absoluta obra-prima que é "The New World" do grande Terrence Malick, que poderemos febrilmente descobrir no conforto do nosso lar a partir de 14 de Outubro, pelo menos em zona 1 e de certeza pouco tempo depois em zona 2 e com legendas em português. Para relembrar este sonho acordado em película, podem clicar no poster e ler ou reler a nossa crítica dos bons velhos tempos do defunto FanatiCine.

"Tyrannosaurus Rex": the devil's reject is back!

Após o promissor e surpreendente "House of 1000 Corpses", o doentio e indispensável "The Devil's Rejects" e o corajoso e brutal "Haloween", o melhor realizador norte-americano de filmes de terror da actualidade está de volta com "Tyrannosaurus Rex".
Por enquanto, não se sabe nada do filme mas este teaser poster é amplamente suficiente para se aguardar com serenidade até 2009. "51% motherfucker, 49% son of a bitch": não há dúvidas, we love Rob Zombie!

"The Dark Knight": The Joker rules!

Falta sensivelmente um mês para uma das estreias mais aguardadas do ano: "The Dark Knight" ou "O Cavaleiro das Trevas", dia 24 de Julho. Até là, o Joker continua a dar que falar. Creepy!