sexta-feira, 11 de abril de 2008

BIFFF 2008


A 26ª edição do BIFFF (Brussels International Fantastic Film Festival ) chegou ao fim no passado dia 08 de Abril , após mais uma excelente programação, fazendo deste festival um dos melhores dentro no género na Europa a par do incontornável Festival de Stiges.
O júri presidido pelo veterano cineasta italiano Umberto Lenzi (e onde marcava presença também Bong Joon-Ho, talentoso realizador sul-coreano de "Memories of Murder" e "The Host") atribuiu o prémio mais emblemático do festival, o "Corvo de Ouro", ao thriller hardcore tailandês "13 Beloved" de Chukiat Sakveerakul, para surpresa de todos que previam que novamente [Rec] de Jaume Balagueró e Paco Plaza arrecadaria mais um prémio de topo.
Mas o filme espanhol teve de se contentar com o Prémio do Público e, sobretudo, o "Corvo de Prata", que partilhou com o ultra aguardado "Stuck" do mítico Stuart Gordon, planfleto sem concessões sobre os males das nossas sociedades modernas com algum humor negro à mistura.
Não podemos deixar de referir o prazer que tivemos ao descobrir que o "Meliès de Prata" foi atribuído ao filme francês "Frontière(s)" do muito promissor Xavier Gens, survival tenso e muito bem realizado ignorado no seu país de origem mas que, embora sofra de evidentes erros de juventude, aconselha-se a todos os fãs de filmes sinceros e que fazem jus ao género que defendem.
Para a lista completa dos prémios e programação, é só clicar na foto mais acima. Em breve, voltaremos a falar em Festivais com um balanço detalhado do nosso nacional Fantasporto, edição 2008. Stay tuned!

terça-feira, 8 de abril de 2008

"Tokyo Gore Police": ultimate guilty pleasure!

Quando o responsável dos efeitos especiais do chanfrado "Machine Girl" (ver arquivo de 31 de Março) passa para atrás das câmaras, o resultado é este: "Tokyo Gore Police" ou o filme que faz passar "Ichi the Killer" de Takashi Miike por uma produção da Disney!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Estreias de Abril: os filmes a ver (1ª parte)

Tendo em conta o volume crescente de estreias semanais que se tem verificado no nosso circuito comercial, esta rubrica pretende direccionar os amantes de cinema de género através os meandros diabólicos tecidos pelas distribuidoras nacionais, entre aquele cinema de autor pretensioso e pseudo-intelectual pensado exclusivamente para quem o faz e para os críticos que querem ficar bem vistos e o lixo industrial vindo de Hollywood que contamina os multiplexes e os seus zombies auto-denominados fãs de cinema.
Assim e esperando-se que não haja as habituais alterações do calendário das estreias, 5 filmes destacam-se este mês. Para já, ficam aqui 2 deles:

- "[Rec]" de Jaume Balagueró e Paco Plaza:
Este filme de terror espanhol já dispensa apresentações, tanto tem sido o seu sucesso e a sua aceitação pelos fãs de cinema de género, nomeadamente no último Fantasporto. De facto, é um filme que se deve experienciar numa sala de cinema se o espectador quer desfrutar plenamente do que o filme tem para oferecer, ou seja, uma eficácia imparável. Como se tem visto, está na moda os filmes realizados em câmara subjectiva e ao estilo documentário (câmara ao ombro e grão da imagem) mas, apesar do conceito continuar a ser particularmente artificial, "[Rec]" é no entanto bem superior aos sobrestimados "The Blair Witch Project" ou "Cloverfield", simplesmente porque a dupla atrás das câmaras tem uma verdadeira visão de cinema (sobretudo Balagueró aliás) o que não é o caso dos dois filmes pré-citados (Myrick e Sánchez limitam-se neste momento a fazer filmes de série B ou Z em DTV e Matt Reeves está apenas ao serviço de um produto marketing).
Assim, "[Rec]" é coerente e tem mais ideias de cinema por cena do que esses 2 filmes juntos, conseguindo até dar uma espessura dramática bastante interessante à sua história básica num final deveras perturbador. O verdadeiro problema do filme reside finalmente no que faz a sua força, i.e., o seu próprio conceito que num efeito perverso limita consideravelmente o impacto do filme no tempo, não sobrevivendo a várias visões. Em conclusão, um bom filme de terror com um efeito imediato que poucos outros filmes do género se podem orgulhar de atingir mas que demonstra também que nada é mais poderoso que um puro filme de cinema com tudo o que isso implica de efeitos de mise en scène, ambientes trabalhados e planos de câmara arrojados. Aliás bastará comparar o primeiro filme de Jaume Balagueró, "Los Sin Nombre", a este "[Rec]" para constatar que o primeiro ainda perturba a nossa memória passado quase 10 anos enquanto este último irá dissipar-se tão rápido quanto o seu impacto foi forte. De todas as maneiras, não percam este rollercoaster bem feito dentro das suas pretensões, o thrill proprocionado vale sem dúvida a pena. Estreia a 10 de Abril.

- "Youth Without Youth" de Francis Ford Coppola:
Ora aqui está um filme que não se enquadra precisamente no cinema de género mas como somos cinéfilos antes de ser aficionados de cinema de género, é portanto impossível não destacar o novo filme de Francis Ford Coppola, o outrora genial cineasta por trás de "The Godfather", "The Conversation", "Apocalypse Now", "Rumble Fish" ou ainda "Tucker". Há muito tempo que Francis Ford Coppola já não é o realizador de obras-primas que conhecíamos, aliás os anos 90 foram o início da decadência. Mesmo se "The Godfather: Part III" e "Dracula" apresentam fortes qualidades, já os sinais não enganavam e o que veio a seguir veio confirmar que o realizador já não tinha aquela mestria característica dos maiores. "Jack", "The Rainmaker" e o pesadelo "Supernova" (substituiu Walter Hill quando lhe foi retirado o filme) acabaram com um cineasta conhecido pela sua integridade artística e também a sua megalomania.
O projecto "Youth Without Youth" foi portanto inesperado e apresenta-se como uma obra pessoal para o realizador, longe dos grandes estúdios de Hollywood, feito em paz e serenidade, enquadramento que não é propriamente habitual para Francis Ford Coppola. É assim esperado um filme introspectivo e filosófico, apoiando-se principalmente nas suas personagens e onde acreditamos que poderemos reencontrar a forma peculiar de realizar de Coppola, essa tão própria narrativa épica cheia de emoção contida. Esperemos que este seja o regresso definitivo de um grande senhor da 7ª Arte, apesar da gélida recepção da qual foi objecto "Youth Without Youth". Estreia a 10 de Abril.

Falaremos em breve dos outros 3 filmes en questão. Keep watching!

sábado, 5 de abril de 2008

"Blindness": Fernando Meirelles adapta "Ensaio Sobre a Cegueira"

O brilhante realizador de "Cidade de Deus" e "The Constant Gardener" revela finalmente às primeiras imagens da sua nova obra, a adaptação do livro de José Saramago "Ensaio Sobre a Cegueira", intitulado em inglês "Blindness".
Este curto teaser permite desde já deslumbrar um filme visualmente ambicioso que procura instalar um ambiente apocalíptico através do habitual trabalho de câmara impressionante de Fernando Meirelles e de uma fotografia particularmente saturada, fria e onírica, do fiel colaborador César Charlone que oficiou como Director de Fotografia nos seus dois filmes anteriores.
Não será finalmente essa a característica principal de uma adaptação conseguida? Transformar as características específicas do suporte literário, arte da escrita onde a imaginação do leitor é soberana e inigualável, em códigos narrativos e estéticos próprios ao media cinema, onde a imagem e o ponto de vista do cineasta atrás das câmaras devem proporcionar uma experiência ao espectador? Penso sinceramente que sim e Fernando Meirelles já o demonstrou em "The Constant Gardener", reapropriando-se a obra original de John le Carré para transmitir a sua visão do mundo, antes de tudo pelo seu trabalho de câmara e nunca através de um excesso discursivo ou de qualquer outro artifício que caracterizam a generalidade das adaptações de livros feitas em Hollywood.
Nesse contexto, não me admirava nada que "Blindness" viesse confirmar de forma inequívoca o talento indecente do qual Fernando Meirelles fez prova nos seus filmes precedentes. A comprovar antes do final do ano, se tudo correr bem.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

"Hellboy II: The Golden Army": novo trailer

Palavras para quê? Isto vai ser grandioso demais para ser verdade!

Espanha ou a Terra Prometida do cinema de género europeu

Com a estreia iminente no nosso circuito comercial (dia 10 de abril) de [Rec], filme de terror realizado pela dupla Jaume Balagueró/Paco Plaza, cuja terrível eficácia tem convencido os geeks por toda a parte, embora no meu entender o seu conceito limite grandemente a sua perenidade, é de aproveitar para reafirmar uma evidência demasiadas vezes esquecida: o cinema de género espanhol é simplesmente um modelo de qualidade que deveriam seguir as outras cinematografias europeias.
Apesar da França estar finalmente a acordar (regressaremos a este tema em particular brevemente), dos nórdicos continuarem a surpreender esporadicamente e do Reino Unido contar com dois ou três cineastas fortes nesta matéria, a vitalidade e a mestria demonstradas com uma facilidade desconcertante pelo cinema espanhol têm deixado a léguas qualquer tipo de concorrência. Como prova inequívoca desse facto, deixo aqui estes vários trailers de filmes que gostaríamos fortemente de ver estrear nas salas nacionais.

"Martyrs" de Pascal Laugier

Este filme anuncia-se muito promissor (mais um filme de terror francês). Fiquem atentos, deveremos voltar em breve com um trailer digno desse nome. Até lá cliquem na imagem para ver um rol de imagens bárbaras. Stay tuned!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

"The Spirit" by Frank Miller


"Shamo": uma bomba de ultra violência em perspectiva


O cinema de Hong-Kong tem ultimamente sofrido da comparação com os seus ilustres vizinhos que são o Japão e a Coreia do Sul, e isso desde o retrocesso da península à China. Se recentemente citávamos o indispensável Johnnie To como um dos raros cineastas locais a manter um grande nível de qualidade (convém não esquecer no entanto o imprivisível Tsui Hark, somente um dos melhores cineastas de todos os tempos!), podemos referir outro jovem cineasta de Hong-Kong que tem permitido manter os olhos virados para o cinema local: o talentoso Soi Cheang.
Com uma carreira iniciada apenas em 2000, Soi Cheang começou, como é habitual na península, por realizar filmes de encomenda, tendo dado nas vistas com o filme de terror "Horror Hotline... Big Head Monster". Todavia, o jovem realizador foi pouco a pouco desenvolvendo um universo e uma linguagem cinematográfica muito próprios, os quais foram verdadeiramente efectivos no seu filme "Love Battlefield", curiosa mistura entre thriller sem concessões e filme romântico tocante.
Nesse contexto, Cheang tornou-se evidentemente um realizador a seguir mas, mesmo assim, nada nos tinha preparado para o choque visual e emocional que representou o seu "Dog Bite Dog", ensaio de 2006 de um negrume, uma violência e uma ambiguidade totalmente avassaladores. Com uma mestria técnica digna dos maiores cineastas (é preciso ver para querer a forma no mínimo destemida como utiliza a sua câmara para nos implicar na trágica odisseia sangrenta das suas personagens), uma direcção de actores surpreendente (ver a interpretação do geralmente insosso Edison Chen para se convencer disso) e mais uma vez uma mistura de género imparável (drama, acção, policial, filme social), "Dog Bite Dog" revelou-se um autêntico soco no estômago e uma visceral descida aos infernos inesquecível (para quando em Portugal, caraças!).
Daí que não podíamos deixar passar os seus novos projectos, tratando-se neste momento de dois filmes: o ainda em pós-produção thriller de acção "Assassins", estando apenas o poster disponível, e o já finalizado "Shamo", adaptação de um manga ultra violento sobre combates de boxe clandestinos (tema já presente em segundo plano em "Dog Bite Dog"), que tem sido relativamente bem recebido nos numerosos festivais onde marcou presença.

Se "Shamo" não tem beneficiado de tanto entusiasmo como "Dog Bite Dog", os trailers que disponilizamos agora são no entanto de uma potência arrasadora que deixa uma vontade enorme de descobrir o filme de imediato. Sem dúvida que Soi Cheang vai levar mais uma vez para novos patamares a violência, a amoralidade e a implicação total do espectador. Mas melhor do que palavras, são as imagens, portanto é só clicar na foto. Se não conheciam este formidável cineasta, é favor descobrir os seus filmes quanto antes. 'Nuff said!


quarta-feira, 2 de abril de 2008

IndieLisboa 2008

Mais 3 semanas e estaremos prestes a assistir a uma nova edição do IndieLisboa (24/04 - 04/05), a quinta para ser mais preciso. Quem já nos conhece de outras aventuras e quem prestou atenção aos primeiros passos deste blogue, deduziu com facilidade que não somos propriamente uns incondicionais do cinema independente, seja ele de que nacionalidade for.
No entanto, o jovem festival IndieLisboa tem aberto a porta a muitos filmes inéditos em Portugal (e alguns vão continuar a sê-lo de certeza por muito mais tempo ainda infelizmente) que se enquadram na perfeição naquele cinema visceral, transgressivo, descomplexado e, sobretudo, formalmente impressionante que tanto veneramos.
Passaram assim pelas 4 primeiras edições do festival, filmes como "Hard Luck Hero" do japonês Sabu, "The Big Red One" do mítico Samuel Fuller, a trilogia "Infernal Affairs" da dupla Andrew Lau/Alan Mak, "Loft" do mestre Kiyoshi Kurosawa, "Mirrormask" do britânico Dave McKean, o crepuscular e inesquecível western australiano "The Proposition" realizado por John Hillcoat e escrito por Nick Cave, o indispensável "Pat Garret & Billy the Kid" do grande Sam Peckinpah, o hardcore "Princess" do dinamarquês Anders Morgenthaler, "A Scanner Darkly" do norte-americano Richard Linklater, a belíssima homenagem ao cinema mudo "La Antena" do argentino Esteban Sapir e também uma excelente retrospectiva do atípico cineasta nipónico Shinji Aoyama assim como a presença no cartaz de cada edição de um filme do incontornável realizador de Hong-Kong, Johnnie To, com "Breaking News" (um plano-sequência inicial alucinante!), "Yesterday Once More", "Election" e "Exiled" (obra-prima!).
Aliás, o grande destaque desta edição de 2008 é precisamente uma retrospectiva imperdível deste grande cineasta que é Johnnie To, cujos filmes continuam incompreensivelmente inéditos no nosso circuito comercial (salas de cinema ou DVD). Esta retrospectiva por si só faz do IndieLisboa 2008 o evento cinematográfico do mês de Abril, aproveitando-se para aconselhar os filmes "The Mission", "PTU", "A Hero Never Dies", "Running Out of Time", "Throw Down" e "The Heroic Trio" sem esquecer de não deixar escapar as suas últimas realizações que são os aguardados "Mad Detective" e "Sparrow".
Mas para além disso, teremos ainda "Sad Vacation", o último Shinji Aoyama, "The Rebirth" de Masahiro Kobayashi, o esperado "Go Go Tales", novo filme de Abel Ferrara, "The Blueberry Nights" do aclamado Wong Kar-Wai (infelizmente uma pequena decepção) e por fim, um dos filmes mais ansiados do festival (pelo menos por mim!), o muito promissor "Let the Right One In" do sueco Thomas Alfredson, um invulgar filme de vampiros com crianças que deverá de certeza ficar na memória (trailer consultável numa entrada anterior).
Portanto, cinéfilos, já sabem o que vos resta fazer e, para isso, podem consultar o calendário e a programação completa do IndieLisboa 2008 clicando na foto acima ou indo aos nossos links.
Bom festival, nós lá estaremos!